Sentir algum desconforto durante a menstruação pode ser comum. Mas dor forte, incapacitante, que impede o trabalho, estudo ou realização de atividades do dia a dia, não deve ser considerada “normal”. Em muitos casos, esse pode ser um dos sinais da Endometriose.
“A Endometriose é uma doença em que um tecido semelhante ao que reveste o interior do útero (endométrio) cresce fora dele. Esse tecido pode se implantar nos ovários, trompas, bexiga, intestino e até em regiões mais profundas da pelve”, explica a médica Larissa Reis, ginecologista da FUNDAFFEMG.
Ela complementa: “o problema é que, a cada ciclo menstrual, esse tecido também responde aos hormônios e inflama, sangra e causar dor. Com o tempo, isso pode levar à formação de aderências, inflamação crônica e alterações no funcionamento dos órgãos afetados”.
Mais do que cólicas intensas, a Endometriose pode afetar profundamente a qualidade de vida. Muitas mulheres relatam impacto no trabalho, nos estudos, na vida sexual, no bem-estar emocional e nos relacionamentos. As causas da doença ainda não são claras.
“Nós sabemos que há componente genético envolvido, mas toda mulher em idade reprodutiva, que tem dores muito fortes, incapacitantes, deve procurar um médico para fazer uma investigação de Endometriose”, ressalta a médica.
Sinais de alerta
Entre os sinais que podem indicar Endometriose estão: cólicas muito intensas, que não melhoram com analgésicos comuns; dor pélvica fora do período menstrual; dor durante ou após a relação sexual; alterações intestinais ou urinárias no período menstrual, como diarreia, constipação e dor ao evacuar ou urinar; fluxo menstrual intenso ou irregular; dificuldade para engravidar e cansaço excessivo associado ao ciclo.
“A Endometriose é mais comum em mulheres em idade reprodutiva, especialmente entre os 25 e 40 anos, mas ela pode afetar qualquer mulher que menstrua. Ter histórico familiar aumenta o risco, mas não é uma regra. Todos esses sinais merecem uma investigação mais detalhada para descartar ou confirmar a doença. Essa avaliação deve ser feita pelo ginecologista, por isso o acompanhamento ginecológico regular é sempre fundamental”, reforça a especialista.
Por que o diagnóstico costuma demorar?
O diagnóstico da Endometriose pode levar anos. A médica explica que isso acontece porque a dor menstrual ainda é muitas vezes normalizada.
“Muitas mulheres aprendem desde cedo que “cólica é assim mesmo”, a paciente costuma ouvir por anos que é normal sentir dor. Essa normalização é um dos principais motivos do atraso no diagnóstico. Além disso, nem sempre os exames iniciais mostram alterações”.
Ficam os sinais de alerta: “a cólica deixa de ser normal quando impede atividades do dia a dia, não melhora com medicamentos habituais, vem acompanhada de outros sintomas, como dor na relação ou alterações intestinais, ou está piorando com o tempo. Dor progressiva nunca deve ser ignorada”, reforça a médica.
Como se preparar para a consulta ginecológica?
Dra. Larissa reforça que chegar organizada para a consulta, com um relato completo dos sintomas, ajuda muito.
“Quanto mais detalhado for o relato da paciente, maior a chance de encurtarmos o caminho até o diagnóstico”.
Vale anotar:
- A regularidade dos ciclos menstruais (o primeiro dia da menstruação de cada ciclo);
- Quando os sintomas começaram;
- Em que período do ciclo a dor aparece;
- Intensidade da dor (nota de 0 a 10);
- Se há dor na relação, ao evacuar ou urinar;
- Exames já realizados;
- Tentativas de tratamento anteriores;
- Dúvidas que deseja esclarecer.
A médica ainda destaca que os sintomas não devem ser ignorados ou minimizados:
“Muitas vezes, esses sintomas acabam sendo normalizados tanto pelas próprias pacientes quanto por profissionais de saúde. É fundamental olhar para esse quadro com mais atenção e cuidado, porque, por trás de sintomas aparentemente comuns, pode haver um diagnóstico importante que está passando despercebido”.
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