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Quando a aposta deixa de ser diversão: os impactos dos jogos de azar na saúde mental

5 de novembro de 2026

Mesmo com a recente mudança na legislação, impactos já provocados necessitam ser debatidos, assim como o risco da transferência do vício para outros alvos

A popularização das plataformas de apostas on-line, as chamadas bets, ampliou o acesso aos jogos de azar no Brasil e trouxe uma discussão que vai além das perdas financeiras: qual é o impacto dessa atividade sobre a saúde mental?

O tema ganhou um novo capítulo recentemente. Em 25 de setembro de 2026, o Governo Federal publicou uma Medida Provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. A decisão é recente, mas os impactos do período que as bets atuaram já podem ser percebidos na saúde, nas finanças e nas relações familiares de parte da população.

Em julho, o próprio Ministério da Saúde já havia lançado uma campanha nacional de prevenção aos danos das apostas on-line, alertando para os riscos do uso problemático dessas plataformas e para a necessidade de acolhimento de quem aposta e dos familiares afetados.

Os números ajudam a dimensionar o fenômeno

Dados do Ministério da Saúde, baseados no III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), apontam que 25,9% dos brasileiros com mais de 14 anos já jogaram ou apostaram alguma vez na vida. Entre quem já apostou, 4,4% preencheram critérios para transtorno do jogo.

Os reflexos também chegaram aos serviços de saúde. Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o SUS registrou 10.553 atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas.

O transtorno do jogo é reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Entre suas características estão a dificuldade de controlar o comportamento de jogar e a continuidade das apostas apesar das consequências negativas.

Por que pode ser tão difícil parar?

A própria incerteza entre ganhar e perder pode estimular a repetição do comportamento. No ambiente digital, soma-se a isso a disponibilidade permanente: notificações, bônus, apostas em tempo real e outros recursos mantêm as plataformas sempre ao alcance das mãos. Dessa forma, o problema não deve ser entendido simplesmente como “falta de força de vontade”.

O sinal de alerta aparece quando apostar começa a interferir em outras dimensões da vida. Gastar mais tempo ou dinheiro do que pretendia, tentar recuperar perdas com novas apostas, esconder o comportamento de familiares e comprometer despesas essenciais são situações que merecem atenção.

Também podem surgir ansiedade, culpa, irritabilidade, depressão, isolamento social, endividamento e conflitos familiares. E as consequências não atingem apenas quem joga: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, para cada pessoa que aposta em níveis de alto risco, outras seis são afetadas, em média.

Problema que atravessa fronteiras

Estimativas internacionais reunidas pelo Ministério da Saúde indicam que 46,2% dos adultos e 17,9% dos adolescentes no mundo fizeram algum tipo de aposta nos 12 meses avaliados. A OMS estima ainda que aproximadamente 1,2% da população adulta mundial apresente o transtorno do jogo.

Nos casos mais graves, a relação com a saúde mental pode ser ainda mais preocupante. A OMS cita um estudo sueco no qual pessoas com transtorno do jogo apresentaram risco de morte por suicídio 15 vezes maior do que o observado na população geral. O dado não significa que apostar necessariamente levará ao suicídio, mas evidencia a importância de reconhecer os sinais de sofrimento e buscar ajuda.

Palestra sobre jogos de azar e saúde mental

Cuidar da saúde também passa pela forma como nos relacionamos com o ambiente digital. Essa reflexão estará no centro do evento “Saúde Integral em Tempos de Risco Digital: o Impacto das Apostas Online e Jogos de Azar na Saúde Mental, Física e Social”, promovido pela FUNDAFFEMG como encerramento das ações das campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul.

O encontro será realizado no dia 26 de novembro, às 14h15, no auditório da FUNDAFFEMG, em formato híbrido, com transmissão pelo Zoom. Uma mesa-redonda reunirá profissionais de Medicina de Família, Psiquiatria e Psicologia para conversar sobre compulsão, prevenção, saúde integral e os riscos das apostas on-line.

A atividade é destinada a toda a carteira de beneficiários da FUNDAFFEMG e as inscrições poderão ser realizadas até o dia 23 de novembro, contando com 100 vagas disponíveis. Participe ou indique para alguém!

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