Cuidar da mente é um ato de coragem: FUNDAFFEMG promove reflexão sobre saúde mental
30 de setembro de 2026Encontro reuniu profissionais e beneficiários para falar sobre acolhimento, busca por ajuda e a importância de construir redes de apoio

Falar sobre saúde mental é primordial no cuidado com a saúde. Foi com esse propósito que a FUNDAFFEMG realizou, no dia 22 de setembro, uma ação especial de Setembro Amarelo, com o tema “Cuidar da mente é um ato de coragem”.
O encontro promoveu um espaço de diálogo sobre saúde mental, acolhimento e os desafios que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano. Entre os principais pontos discutidos, esteve a importância de não esperar chegar ao limite para procurar ajuda e de reconhecer que nem todos os problemas podem ser resolvidos individualmente.
Flávia Alves, gestora do Sempre Saúde, destacou que a ideia para o formato do evento surgiu a partir das demandas que os próprios beneficiários levam aos atendimentos nas clínicas próprias e programas da FUNDAFFEMG. O evento contou com a participação da médica psiquiatra Marina Amaral e do psicólogo Luiz Eduardo Pelizer, com mediação da enfermeira Karla Silva.
Na abertura, o Diretor de Assistência à Saúde da FUNDAFFEMG, Luiz Antônio Ribeiro, enfatizou a alegria em ver temas de saúde mental sendo debatidos abertamente, com a participação de profissionais qualificados para o assunto. “Durante muito tempo essas questões foram cercadas de muito preconceito. Até pouco tempo atrás, a saúde mental era um paradigma. Estar aqui hoje, nesse espaço aberto e com acesso a profissionais que podem trazer informações de qualidade, já é um grande passo”.
Pedir ajuda também é cuidar de si
Durante o encontro, uma das mensagens centrais foi a necessidade de reconhecer os próprios limites. Em muitos momentos, a pessoa pode perceber que aquilo que está vivendo deixou de ser apenas uma dificuldade passageira e passou a interferir em sua rotina, seus relacionamentos ou em sua qualidade de vida. Nessas situações, buscar ajuda profissional não significa fraqueza. Pelo contrário: é uma atitude de cuidado e responsabilidade consigo mesmo.
A saúde mental não se resume à ausência de um diagnóstico. Ela também envolve a maneira como cada pessoa lida com suas emoções, relações, perdas, mudanças e contradições. Como foi destacado durante a conversa, a vida não é feita apenas de momentos bons, e reconhecer os momentos difíceis também faz parte do cuidado.

Saúde mental não aparece em um exame
Outro ponto importante abordado foi a dificuldade de perceber o sofrimento psíquico. Diferentemente de algumas condições físicas, nem sempre existe um exame capaz de mostrar que uma pessoa não está bem emocionalmente. Por isso, prestar atenção aos sinais e manter o diálogo aberto pode fazer diferença.
Mudanças de comportamento, isolamento, sofrimento persistente, dificuldades para realizar atividades cotidianas e outras alterações percebidas pela própria pessoa ou por quem convive com ela podem ser motivos para buscar orientação profissional. Nesse processo, escutar sem julgamentos é fundamental.
Cuidar também é estar atento ao outro
O encontro também chamou atenção para o papel das relações na saúde mental. Um gesto simples, como perguntar genuinamente como alguém está, oferecer escuta ou demonstrar disponibilidade para conversar, pode contribuir para que uma pessoa se sinta acolhida.
Ao mesmo tempo, é importante entender que acolher alguém não significa assumir sozinho a responsabilidade pelo sofrimento daquela pessoa. Em situações que exigem acompanhamento, o suporte de profissionais especializados é fundamental.
Construir e fortalecer redes de apoio — formadas por familiares, amigos, profissionais de saúde e outras pessoas de confiança — é uma maneira de tornar o cuidado mais possível e menos solitário.

Procurar tratamento não significa estar sozinho
O encontro também abordou questões relacionadas ao tratamento em saúde mental, como o receio que algumas pessoas ainda têm de procurar um psiquiatra ou de utilizar medicamentos.
O acompanhamento deve ser individualizado e conduzido por profissionais habilitados. Da mesma forma, medicamentos não devem ser interrompidos por conta própria, mesmo quando a pessoa percebe uma melhora. Qualquer alteração no tratamento precisa ser discutida com o profissional responsável.
Também foi reforçada a importância de conversar abertamente com o médico sobre dúvidas, efeitos percebidos e receios relacionados ao tratamento.

Informação também é uma forma de prevenção
Ao promover o encontro, a FUNDAFFEMG reforça que falar sobre saúde mental precisa fazer parte do cuidado durante todo o ano — e não apenas no Setembro Amarelo.
Informar, ouvir, acolher e orientar são atitudes que ajudam a reduzir o estigma e podem facilitar a busca por ajuda quando ela é necessária.
Cuidar da mente é reconhecer limites, pedir ajuda quando preciso e também estar disponível para cuidar das relações que construímos. É entender que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.
O encontro contou ainda com momentos de integração e uma apresentação musical, reforçando a importância de criar espaços de convivência, diálogo e acolhimento.
O evento aconteceu em formato híbrido: presencialmente, no auditório da FUNDAFFEMG, e com participação online em tempo real, possibilitando a participação de beneficiários que estão fora de Belo Horizonte, ou que não puderam comparecer à sede da Operadora.