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Inteligência artificial e saúde

26 de agosto de 2026

A tecnologia não substitui a avaliação, o exame e a orientação de um profissional para definir um diagnóstico

Aplicativos de inteligência artificial (IA) já fazem parte da rotina de muitas pessoas. Em poucos segundos, eles conseguem explicar termos, resumir conteúdos e responder a perguntas sobre sintomas, exames, doenças e medicamentos.

A rapidez e a facilidade de acesso podem até ser úteis, mas o alerta começa quando uma resposta passa a ser tratada como diagnóstico ou recomendação médica. A IA pode organizar informações, mas não conhece completamente a história clínica da pessoa, não realiza exame físico e não observa sinais que podem ser essenciais para uma decisão segura.

Por que uma resposta convincente também pode estar errada?

Ferramentas de inteligência artificial generativa produzem respostas com base em padrões encontrados em grandes volumes de dados. Elas não “pensam” ou avaliam uma pessoa da mesma forma que um profissional de saúde.

Por isso, podem apresentar informações incorretas ou incompletas, desatualizadas, fora do contexto da pergunta, baseadas em dados de baixa qualidade, inadequadas para aquela pessoa e escritas “de forma bonita”, mesmo quando contêm erros.

A Organização Mundial da Saúde alerta que essas ferramentas podem produzir respostas plausíveis e com aparência de autoridade, mas completamente incorretas ou com erros graves.

Um caso real para alertar sobre o uso da IA quando o assunto é a sua saúde.

Em 2025, um relato publicado no periódico científico Annals of Internal Medicine: Clinical Cases descreveu a internação de um homem de 60 anos com intoxicação por brometo, condição conhecida como bromismo.

Segundo o relato, ele desejava reduzir o consumo de cloreto e afirmou ter consultado o ChatGPT. Posteriormente, substituiu o sal de cozinha (cloreto de sódio) por brometo de sódio durante aproximadamente três meses.

O paciente desenvolveu sintomas como sede excessiva, insônia, paranoia e alucinações e precisou ser hospitalizado. Os autores não tiveram acesso ao histórico original da conversa e, portanto, não puderam confirmar exatamente o que o aplicativo respondeu. Ao testarem uma pergunta semelhante em uma versão anterior da ferramenta, porém, encontraram uma resposta que mencionava o brometo sem apresentar uma advertência médica específica ou pedir mais informações sobre o contexto.

O caso mostra que uma informação aparentemente correta em determinado contexto pode ser perigosa quando aplicada à alimentação ou à saúde sem avaliação profissional.

Em quais situações a inteligência artificial pode ajudar?

Utilizada com senso crítico, ela pode servir como ferramenta complementar para:

  • Explicar, em linguagem mais simples, um conceito geral;
  • Ajudar a organizar perguntas para uma consulta;
  • Criar uma lista de informações que devem ser relatadas a um profissional;
  • Ajudar a compreender orientações já recebidas, sem substituí-las.

Mesmo nessas situações, as informações devem ser verificadas em fontes confiáveis ou com o profissional responsável pelo cuidado.

O que não deve ser decidido apenas com base em uma IA?

Uma resposta gerada por inteligência artificial não deve ser usada isoladamente para:

  • Concluir um diagnóstico;
  • Começar, interromper ou substituir um tratamento;
  • Modificar a dose ou o horário de um medicamento;
  • Avaliar a gravidade de um sintoma;
  • Interpretar definitivamente um exame;
  • Escolher suplementos, fórmulas ou substâncias;
  • Decidir que não é necessário procurar atendimento;
  • Substituir acompanhamento médico, psicológico, nutricional ou de outro profissional.

Duas pessoas com sintomas parecidos podem ter condições completamente diferentes. Idade, histórico familiar, doenças anteriores, medicamentos em uso, duração dos sintomas e achados do exame físico podem modificar totalmente uma orientação.

Proteja também os seus dados

Ao utilizar uma ferramenta digital, evite inserir informações que permitam sua identificação, como:

  • Nome completo e documentos;
  • Endereço, telefone ou e-mail;
  • Número da carteirinha;
  • Fotografias com dados pessoais;
  • Receitas, laudos e exames sem ocultar as informações de identificação;
  • Detalhes de saúde de outras pessoas sem autorização.

A OMS alerta que algumas ferramentas podem não proteger adequadamente os dados sensíveis fornecidos pelos usuários.

Tecnologia como apoio, não como substituição

A inteligência artificial pode aproximar as pessoas de informações importantes e ajudá-las a participar de forma mais ativa do próprio cuidado. Para que esse benefício seja aproveitado com segurança, é essencial reconhecer os limites da tecnologia. Informação ajuda, mas a avaliação profissional protege.

Fontes do caso

Estudo científico: A Case of Bromism Influenced by Use of Artificial Intelligence, publicado em 5 de agosto de 2025 no Annals of Internal Medicine: Clinical Cases.

Matéria jornalística: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/08/12/homem-desenvolve-condicao-psiquiatrica-rara-apos-consulta-ao-chatgpt-sobre-parar-de-comer-sal.ghtml

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